terça-feira, 2 de março de 2010

A hora do Grito

É quando minha carne trai
meu corpo se refaz,
É quando não entendo o mundo
E não meço o tempo, mudo,
É quando me pergunto o porquê
deparo-me com o não sei o quê,
É quando me lembro dos teus olhos
conjugo-me desatinada,
É quando sinto tudo isso
na porta do paraíso
na beira do precipício,
É quando meu peito se anestesia
acalmo-me e não abro,
É quando me suporto, me decoro,
É quando me invejo e não nego,
É quando me transporto,
É quando sou protagonista
implorando um segundo plano,
É quando sou figurante
declamando papel principal,
É quando existo, persisto, promiscuo,
É quando teus olhos mudam de cor
É quando escrevo torto
e me questiono pouco,
É quando deito de lado
joelho dobrado
cabelo amassado
e penso ainda mais,
É quando sinto saudades
um passo á paisagem,
É quando pinto com tinta
o que é pra ser castigado,
É quando mordo errado
o que é pra ser pintado,
É quando durmo um pouco
do amanhecer mais belo,
É quando aquarela de cores
o anoitecer de horrores,
É quando me cai o sono
no dia segundo e me enche os sonhos,
É quando estou e não dito
um quarto lacrado
pertenço enlatado
e o branco ao lado
repentinamente
prateado,
É quando combino comigo
A hora do grito
Hora do grito
Do grito
Grito
Grito
Grito
.....

Um comentário:

  1. Pungente e expressivo... e belo, não é menos... scream for me, Brazil! :)

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